Sobrenomes africanos: a influência da escravidão na formação das famílias

Dicas para a pesquisa genealógica

A influência da escravidão na formação das famílias africanas

Quando se fala em sobrenomes africanos, é comum pensar em nomes que remetem à tradição, religião ou mesmo à geografia do continente. No entanto, é importante lembrar que muitos destes sobrenomes têm origem na escravidão, que acabou por moldar a formação das famílias africanas.

A chegada dos escravos ao Brasil

A história da escravidão no Brasil começa com a chegada dos portugueses em 1500, que logo perceberam que a mão de obra era fundamental para a exploração da terra. A partir daí, começaram a trazer africanos como escravos para trabalhar nas plantações de cana-de-açúcar, café, entre outros.

Com a chegada dos escravos, surgiram as primeiras formas de identificação, através de nomes chamados de "africanos". Estes nomes eram geralmente formados por uma expressão em sua língua originária que remetia a algo do cotidiano, como "Sol" ou "Lua", seguido do nome completo do dono, como forma de identificação.

A separação das famílias africanas

Com a escravidão, veio também a separação das famílias africanas, que eram vendidas separadamente e muitas vezes nunca mais voltavam a se reunir. Esta prática gerou, portanto, uma grande mistura de etnias dentro das fazendas, criando novas famílias "misturadas".

Alguns sobrenomes, inclusive, surgiram a partir desta mistura, como "Braz", que pode ter origem tanto em nomes de batismo cristãos quanto em nomes africanos, como "Ibrahim". Outros sobrenomes, como "Silva" e "Pereira", surgiram a partir da adoção de nomes de padrinhos.

Os sobrenomes que remetem a profissões

Outra origem frequente de sobrenomes africanos são as profissões exercidas pelos escravos. Muitos foram treinados pelos colonizadores para exercerem determinados ofícios, como carpintaria ou tecelagem, e assim acabaram por assumir estes nomes como sobrenomes.

Exemplos de sobrenomes que remetem a profissões incluem "Ferreira", "Oliveira" e "Costa". Já o sobrenome "Carneiro" tem origem em uma palavra portuguesa que significa "cordeiro", e pode ter sido atribuído a um escravo pastor ou simplesmente como um sobrenome adotado.

A continuidade dos sobrenomes africanos

Muitos sobrenomes africanos ainda existem hoje, mesmo após séculos de influência da escravidão. É possível encontrá-los em várias regiões do Brasil, especialmente no Nordeste.

Porém, muitos destes sobrenomes acabaram sendo perdidos ao longo do tempo, principalmente por causa da falta de registro adequado das pessoas escravizadas. Isso torna difícil a busca pela origem de muitos sobrenomes, bem como a reconstrução da história das famílias africanas no Brasil.

A valorização dos sobrenomes africanos

Apesar das dificuldades em obter informações precisas sobre a origem dos sobrenomes africanos, é importante a valorização destes nomes. Eles carregam uma história de luta pela identidade e pela sobrevivência durante um período difícil da nossa história.

Além disso, a valorização dos sobrenomes africanos pode incentivar a pesquisa sobre a história das famílias africanas no Brasil, ajudando a resgatar memórias e identidades importantes para o nosso país.

  • Fontes:
  • "Esses sobrenomes de africanos escravizados ainda circulam pelo Brasil" - https://www.bbc.com/portuguese/vert-tra-57119799
  • "Sobrenomes africanos no Brasil" - https://vivenciandohistoriablog.wordpress.com/2020/08/19/sobrenomes-africanos-no-brasil/
  • "As origens dos sobrenomes mais comuns do Brasil" - https://super.abril.com.br/historia/as-origens-dos-sobrenomes-mais-comuns-do-brasil/

Em resumo, os sobrenomes africanos no Brasil têm uma origem que remete à escravidão e ao processo de formação das famílias durante este período. Por isso, é importante valorizá-los como uma forma de resgatar a história e as identidades das pessoas que foram escravizadas no nosso país, além de incentivar a pesquisa sobre esta parte importante da nossa história.